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A matemática é a disciplina mais odiada do mundo?

Este post é apenas uma resposta a uma crítica, não uma resposta absoluta à pergunta do título (apesar de apresentar alguns dados relevantes).

O caso é o seguinte: divulguei numa comunidade do orkut o link “Por que a matemática é a disciplina mais odiada do mundo?”. Uma pessoa da comunidade perguntou se eu tenho dados estatísticos, pois tinha a impressão que se eu fizesse uma pesquisa encontraria tanto “odeio matemática” quanto “odeio português”, “odeio química”, “odeio biologia”, “odeio física”, etc.

Como resposta coletei alguns dados, de uma maneira muito simples, confira abaixo.

Mas antes uma palavrinha:
Quem leu o texto do mencionado link com o mínimo de atenção percebeu que o meu objetivo não era saber se de fato a matemática é “a disciplina mais odiada do mundo”, nem sequer dependia disso, o que escrevi lá terá a mesma relevância se a matemática for ou não for a mais odiada, a única coisa que importa é que a matemática é bastante odiada, e não preciso fazer um levantamento estatístico para saber disso. Eu acredito que a matemática tem um motivo especial e só dela para que seja odiada, e foi isso que tentei destacar naquele post.

Vamos aos dados:
Fiz uma pequena pesquisa nas próprias comunidades do orkut: apenas digitei “odeio [nome da disciplina]”. Veja os resultados das quatro comunidades mais populares para cada disciplina (dados coletados no dia 14 de agosto de 2010):

Disciplina

número de membros (mil) – quatro primeiras
Matemática 227 60 27 16
Português 31 4 2 1
Física 11 4 3 1
História 7 6 2 1
Química 7 3 0 0
Geografia 7 2 0 0
Educ. Física 3 1 0 0
Artes 2 1 0 0
Biologia 2 0 0 0
Filosofia 2 0 0 0
Sociologia 0 0 0 0

Além do número de membros, a matemática superou as outras com muita folga no número de comunidades relacionadas.

De qualquer maneira, considero as reflexões de “Por que a matemática é a disciplina mais odiada do mundo?” muito mais importantes que os números apresentados nesta. Aliás, quando estava anotando esses dados eu até sentia-me perdendo tempo. Precisava mesmo dessa pesquisa?

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Esta notícia tem 18 comentários

  1. Acabei de encontrar uma comunidade chamada "MATEMÁTICA fode minha VIDA!", com 145 mil membros.

    Só não vou registrar na tabela porque foge do método que usei para todas as disciplinas, mas é mais um dado significativo.

  2. Bom, acho que a matemática é a matéria mais odiada pelo jeito com que é encarada nas escolas, pelo jeito falso com que é demonstrada para os alunos, parece que a verdadeira beleza, a verdadeira motivação da matemática não é passada nas salas de aula (e mesmo que fosse provavelmente seria rejeitada com o conceito atual já formado e etc) a matemática hoje é fortemente encarada como uma disciplina pra passar no vestibular (não que as outras não sejam nesse ponto de vista, é só que a mat. é a que mais revolta os alunos) algo em que eles nunca mais vão utilizar depois (tolinhos :]). e pelo jeito que isto já está enraizado cultura-historicamente na nossa sociedade acho difícil isso mudar…

    Talvez só daqui uns bons anos com políticas de mudança dessa visão podemos ter a matemática sendo apreciada como o saber por saber, o prazer de estudar algo complexo e intrigante, belo e exato (nem sempre exato, é verdade).

    Enfim, acho que não disse nada novo x]

  3. Thiago,

    Certamente você disse algo de novo pelo seu estilo… O estilo que uma pessoa fala ou escreve pode 'levar alguém a pensar algo diferente' enquanto está lendo, mesmo que o conteúdo seja parecido…

    Por exemplo, eu gostei dessa parte que você falou "…pelo jeito falso…", nunca tinha visto alguém escrever com essas palavras, hehe.

    Valeu!

  4. ficou meio ambiguo aquela frase, deixa explicar melhor minha opnião, é que normalmente quando se demonstra algo vc usa teses e passos e tal e malemá tem uma breve motivação, tudo bem, vc prova de fato aquilo que vc quis, seja uma formula, um teorema novo ou afins, mas enfim, wu acho que falta um pouco de alma nisso, quero dizer, imagina quem 'perdeu' tempo pensando naquilo, ele não fez isso por que ele era contrado pra fazer aquilo ou enfim, não… ele 'gastou os neurônios dele ali pq ele tinha um objetivo maior, ele tinha prazer naquilo, e esse jeito de encarar a matemática, essa vontade por lógica e raciocínios que façam sentidos num determinado conceito (por mais que seja algo por demais abstrato) simplesmente pelo proprio prazer por conhecimento pela vontade de solucionar um problema novo, enfim.

    Isso que quis dizer com '…jeito falso que é demonstrada…', falta um pouco de alma… mas como disse depois, agora é meio tarde pra querer resultados imediatos, acho que somente depois de um loooongo processo de cura disso talvez conseguiriamos algo para avançar na diminuição efetiva desta 'raiva' dos alunos por esta disciplina exuberante :]

  5. Thiago,

    Fantástico, rapaz! Era mais ou menos isso que eu tinha interpretado mesmo. "Falta um pouco de alma…" é muito boa!

    Você é uma das raras pessoas que percebe que a demonstração no sentido mais comum em matemática não é o 'ápice da matemática', não é o objetivo supremo da matemática, não é a essência da matemática.

    Eu estou pensando em algo nesse sentido há um bom tempo, já tenho alguma mini teoria em mente. Uma pequena semente disso já está na postagem "Por que a matemática é a disciplina mais odiada do mundo?". Mas tenho mais algumas ideias que pretendo publicar em breve.

    Cara, se tiver uma teoria boa pra mudar a concepção que as pessoas têm da matemática, é possível mudar esse quadro de "odiação" em massa! (Claro que demora, mas acho que não tem outro jeito.)

  6. não tinha lido anteriormente sua postagem: http://experienciasnamatematica.blogspot.com/2010/07/por-que-matematica-e-disciplina-mais.html#more mas agora que li, acho que meu ultimo comentario nest tópico demonstra exatamente minha concepção do problema maior do porque as pessoas não gostam de matemática (que foi o ultimo comentario que o Renato postou neste link).

    vc pode ler o que falei antes e pensar, mas isso que você falou é muito geral…

    mas isso mais ou menos responde também a pergunta: Por que quase ninguém mais curte música clássica e só ouvem funks, músicas coloridas e hiphop's que falem de bandidagem?

    bestificação das massas é a resposta!!! não é a questão ser um comentário genérico e aberto de mais, aí é que está, é exatamente por ser assim que abrange muito mais perguntas sobre a sociedade brasileira da forma atual em que está.

    claro, é apenas o meu ponto de vista 😛
    abraços

  7. Dizem que depois da época de bach (Um dos maiores compositores de música clássica pra quem não sabe), a inspiração e a criatividade para criação de músicas foi decaindo ao passar do tempo.

    mais ou menos foi o que aconteceu com a cultura de uma forma em geral dos tempos dos nossos avós para cá…

    foi se perdendo valores, foi se perdendo cérebro… e hoje em dia vivemos num tempo de completa alienação dos nossos jovens para coisas totalmente estúpidas que a mídia os impõe.

    Enfim, a minha teoria é, que enquanto não conseguir recuperar tais valores, enquanto não voltar a boa educação de outrora (leia-se educação familiar – sim, aquela que você deveria dar pro seu filho). enquanto a sociedade não perceber o quanto estão sendo manobrados pum uma mídia mesquinha e resolver abrir suas mentes para a bestificação que estão fazendo com eles, acho que dificilmente conseguiriamos evoluir na direção de fazer com que a matemática seja melhor vista.

    Não achem que estou sendo pessimista, pelo contrário, só que o buraco é bem mais em baixo como diria minha mãe.

  8. Vejam o círculo vicioso e perigoso: aluno odeia matemática, portanto, escolhe uma carreira fora de exatas, por exemplo, pedagogia; vira professor do ensino fundamental sem ter tido nenhuma matemática que preste durante a graduação; vai ensinar os princípios da matemática para as pobres criancinhas da pré-escola que estão ávidas por novidades; o professor sem inspiração e sem entender as belezas da matemática (que ele sempre odiou), passa uma visão surreal da matéria… deixando o aluno mais e mais perdido a cada passo que dá; no final do primeiro ciclo fundamental (antigo primário), o aluno já está praticamente perdido no sentido “matemático” – vai odiar a matéria cada vez mais… E vai optar por uma carreira de humanas, por exemplo, pedagogia…. e assim vai, minha gente!!!! Abraços, Doris.

  9. É Thiago, você arrumou um problema maior que o meu, pelo menos eu falei só de matemática, você fala em conhecimentos/cultura/concepções gerais, que (talvez) só o tempo pode mudar…

    Isso é complexo demais, não vou colocar a minha mão no fogo (pelo menos não nesse fogo).

    De qualquer maneira, essa é uma forma bem razoável de enchergar o assunto, valeu rapaz!

  10. DSFontes (Doris),

    Pois é, esse círculo realmente existe, já vi muita gente criticando o fato de que na primeira metade do ensino fundamental os professores que ensinam matemática (em geral) não têm formação matemática.

    Sobre o círculo da maneira que você apresentou, eu digo: ainda bem que pedagogia não é a única opção para quem odeia matemática. hehe

    Obrigado por compartilhar sua opinião.

  11. e mesmo os professores que estudaram matematica na graduação…. as vezes não é dado o devido enfoque das ies sobre essa motivação ou não é levado tanto a sério pelos alunos de grad. sem contar baixos salarios e alta carga horaria para prof de ens. pub. enfim… se for considerar o problema no ambito da 'parcela de culpa' do professor quanto a esse problema há muitas questões mais pra se discutir, inclusive no ambito politico.

    abraços.

  12. Acabei de encontrar uma comunidade chamada "MATEMÁTICA fode minha VIDA!", com 145 mil membros.

    Só não vou registrar na tabela porque foge do método que usei para todas as disciplinas, mas é mais um dado significativo.
    ==============================================

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  13. Ah, esqueci de comentar sobre a geração do funk, colorido e hip-hop.
    Eu vejo a mídia ditando o tempo todo que para ser legal e aceito eu preciso fazer o que todo mundo faz (a mídia também dita que eu preciso ser aceito pela sociedade). Só que o que "todo mundo faz" é na verdade o que a mídia quer que todo mundo faça, compre, vista e pense; daí vem a imbecilização.

    (quase) Nada contra os estilos acima citados. A questão problemática é trocar o cérebro por bundas, nike colorido e corrente.

    Leiam, se puderem, "O teatro do oprimido e outras poéticas políticas", do Augusto Boal.

  14. Estou de acordo com a opnião da Doris, do ciclo negativo no ensino da Matemática.
    Tenho uma tia que AMA matemática (está no último ano da faculdade) e é, há 10 anos, professora do primeiro ciclo do ensino fundamental. Os alunos que "passaram pelas mãos dela" são os que tem o melhor desempenho no segundo ciclo, mas por alguns anos, apenas; existem os "professores" trogloditas ditadores do psedo-saber que acabam com o prazer e a felicidade de qualquer criança.
    E como se aprende sem prazer?

  15. Olá!
    Muito bons os comentários do Thiago.
    Não sei se vocês conhecem Augusto Boal (teatrólogo brasileiro, morreu 2009), mas ele fez um teatro essencialmente político, que é o que todos nós somos (toda ação humana é política, segundo Boal). O Boal segue a linha freireana; enquanto Freire rompe com a barreira professor-aluno, Boal destrói barreira ator-espectador, provocando a reflexão.
    Oras, se o que falta é reflexão, por que não buscar esses métodos "alternativos" para desimbecilizar a população? Desimbecilizando, consegue-se ensinar alguma coisa, inclusive Matemática.
    Tem um projeto na faculdade que trabalha com os metodos de Boal em escolas públicas e o desempenho dos alunos é fantástico! Eles pensam, questionam, apreendem e aprendem.

    PS: comentei sobre esse teatrólogo pq o Thiago falou da mídia e o Boal fala muito disso e também do Sistema Trágico Coercitivo Aristotélico, alma da televisão e do cinema de massa (deêm uma olhadinha nesse Sistema, é impressionante a sutileza e eficiência).

    PPS: nós dizemos que a Matemática é tudo, mas como explicar para crianças/adolescentes a importancia dela?

  16. Ana,

    Não conheço o Augusto Boal, mas parece interessante sua posição pelo que você falou.

    Sobre a tua observação: "nós dizemos que a Matemática é tudo…" Bem, eu não digo isso, aliás tenho planos de escrever sobre a famosa frase: 'a matemática está em tudo'. Argumentarei contra a afirmativa e apontarei algumas consequências indesejáveis do seu emprego…

    Sobre a questão da mídia: para quem se deixa levar pelo que a mídia dita, talvez seja melhor assim do que agirem com sua própria criatividade. hehehe

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